Afroturismo Capixaba: uma viagem pelas raízes, territórios quilombolas e experiências que revelam a alma do Espírito Santo
O afroturismo vem se consolidando como uma das
vertentes mais relevantes do turismo contemporâneo no Brasil, ao propor
experiências que valorizam a história, a cultura e as contribuições das
populações negras na formação do país. Além de visitar destinos, o segmento
convida o viajante a mergulhar em narrativas historicamente invisibilizadas,
promovendo reconhecimento, pertencimento e desenvolvimento econômico
sustentável.
Esse movimento ganhou força institucional a partir
de iniciativas do Ministério do Turismo, especialmente com o lançamento do
programa Rotas Negras, em 2024. A ação estruturou o afroturismo como política
pública nacional, voltada à valorização da cultura afro-brasileira e à inclusão
produtiva. Estudos vinculados ao programa indicam o mapeamento de dezenas de
rotas e experiências em todo o país, além do crescimento de empreendimentos
turísticos liderados por pessoas negras.
Levantamentos realizados em parceria com a UNESCO
reforçam esse cenário de expansão, destacando iniciativas que integram
patrimônio histórico, gastronomia, manifestações culturais e turismo de base
comunitária. Esse conjunto evidencia o potencial do afroturismo como vetor de
desenvolvimento local, com impacto direto na geração de renda, no
fortalecimento da economia criativa e na valorização de identidades culturais.
No Espírito Santo, o afroturismo capixaba desponta
como um segmento em crescimento, repleto de riquezas ligadas à herança
afro-brasileira. Dos 78 municípios do estado, 26 têm população quilombola,
somando 15.652 pessoas, segundo dados do censo do IBGE. Esse contexto revela um
território fértil para experiências autênticas, construídas a partir da
vivência direta com as comunidades e seus saberes ancestrais.
No norte do Estado, municípios como São Mateus se destacam
por concentrar a maior população quilombola, com 6.920 pessoas — o equivalente
a 5,08% dos habitantes locais. Já Conceição da Barra apresenta o maior
percentual proporcional, com 14,72% de sua população formada por quilombolas,
totalizando 4.042 pessoas. Nessas localidades, o afroturismo se manifesta de
forma viva, permitindo ao visitante participar de experiências que vão desde a
culinária tradicional até rodas de conversa sobre ancestralidade, memória e
resistência.
Outro destino emblemático é Itaúnas, conhecido
nacionalmente por suas dunas e pelo forró, mas que também carrega forte
presença afrodescendente em suas expressões culturais. A região combina
natureza exuberante com manifestações populares que refletem a influência
africana, oferecendo uma vivência que une lazer, história e identidade.
Na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV),
especialmente em Vitória, o afroturismo pode ser explorado por meio de roteiros
históricos que evidenciam a presença negra na formação urbana e social. Igrejas,
construções antigas e espaços culturais revelam narrativas muitas vezes
invisibilizadas, proporcionando uma nova leitura sobre o passado e o presente
do estado.
As manifestações culturais também desempenham papel
central nesse cenário. As bandas de congo, expressão musical tradicional de
origem africana reconhecida como patrimônio cultural, e festas populares
marcadas por música, dança e religiosidade, reforçam a vitalidade das tradições
afro-brasileiras no Espírito Santo. Esses momentos oferecem ao visitante uma
imersão genuína na cultura local, ampliando a compreensão sobre sua diversidade
e riqueza simbólica.
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