Saldanha da Gama: um patrimônio que conecta a história de Vitória ao turismo capixaba
Poucos lugares em Vitória conseguem
reunir tanta história em um único endereço quanto o Saldanha da Gama, no Forte
São João. Com vista privilegiada para a baía da capital capixaba, o local já
foi fortaleza militar, cassino, clube esportivo e hoje abriga a Secretaria do Turismo (Setur), mantendo suas
portas abertas para todos os interessados em conhecer um dos patrimônios mais
fascinantes da cidade.
Mas o que muita gente não sabe é que a
história do local começou por causa de um pirata. Em 1592, o famoso pirata
inglês Thomas Cavendish navegou em direção à Ilha de Vitória após atacar a
cidade de Santos, em São Paulo. Temendo uma invasão, os moradores improvisaram
estruturas defensivas na entrada da baía. Uma delas deu origem ao que, décadas
depois, se transformaria no Forte São João.
A construção definitiva da fortaleza
aconteceu em 1726, seguindo projeto do engenheiro Nicolau de Abreu. O forte
possuía muralhas, canhoneiras e dez canhões voltados para a proteção da cidade,
desempenhando papel estratégico na defesa da então Capitania do Espírito Santo.
Com o passar dos anos e a redução da
necessidade militar, o forte foi desativado. O espaço mudou de função e ganhou
uma nova vida na década de 1920, quando foi reformado e transformado no
elegante Cassino Trianon.
O local passou a receber eventos sociais
e encontros da elite capixaba, marcando uma nova fase de sua história. A
fachada também foi completamente remodelada, adquirindo características
arquitetônicas que ainda hoje chamam a atenção de quem visita o prédio.
Outra curiosidade é que o prédio se
tornou, em 1931, sede do Clube de Regatas Saldanha da Gama, uma das
instituições esportivas mais tradicionais do Espírito Santo.
Naquela época, a baía chegava
praticamente aos pés da construção. As competições de remo, natação e polo
aquático movimentavam a região. Para as provas de natação, era montada uma
curiosa piscina flutuante delimitada por barcos e boias sobre as águas da baía.
Foi ali também que surgiu um dos maiores
nomes do esporte capixaba: o remador Wilson Freitas, que levou o nome do
Espírito Santo para competições nacionais e se tornou um dos maiores símbolos
da história do clube.
Embora o local tenha nascido como Forte
São João, o nome Saldanha da Gama permaneceu após décadas de ocupação pelo
clube esportivo.
A homenagem é ao almirante Luís Filipe
Saldanha da Gama, importante oficial da Marinha Brasileira do século XIX. Com o
passar do tempo, o nome se tornou tão conhecido entre os capixabas que acabou
se consolidando como a principal referência para o edifício.
Hoje, quem visita o Saldanha da Gama
encontra um espaço que preserva diferentes camadas da história do Espírito
Santo. Em um mesmo local convivem memórias da defesa colonial, da vida social
da cidade, das tradições esportivas capixabas e do turismo contemporâneo.
Além da riqueza histórica, o visitante
pode apreciar a arquitetura, observar a movimentação da baía de Vitória e
conhecer um dos cenários que ajudaram a moldar a identidade da capital
capixaba.
Mais do que um prédio histórico, o
Saldanha da Gama é uma verdadeira viagem no tempo, onde cada parede guarda
histórias de piratas, soldados, atletas e personagens que ajudaram a construir
a trajetória do Espírito Santo.
Endereço:
Avenida
Vitória, 320 – Centro, Vitória (ES) ou
Avenida
Marechal Mascarenhas de Moraes, 705 – Forte São João, Vitória (ES).
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação da Setur
Geila Salomão
(27) 3636.8009 | (27) 98823.3640
imprensa@turismo.es.gov.br
FOTOS: Acervo Saldanha da Gama